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Tópico: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

  1. #11
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    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    Vc me matou... Queeer dizer, vc matou o Gabriel? D:
    :brinks
    tô gostando mto da história, continue!
    monobiomorfismo/Klugg

    [O amor] tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta - I Coríntios 13:7

  2. #12

    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    Sem morte não tem graça. uu"
    Chama-se Gabriel? '-'

    #######################Capítulo VI – O Calor Mais Frio, Parte 2 #######################


    Sob as chamas, álcool. Sob álcool, metal. Sob o metal, o pano umedecido. Sob o pano umedecido a mistura de barro, óleo e ervas.
    Acordou devagar, sentindo o calor agradável em sua pele, e de imediato ao notar onde estava o fogo. Gritou e sentou-se colocando a mão onde sentiu enjôo. Com a almofada abafou o pequeno foco de incêndio do tapete. Flamma Aurora surgiu à porta, vinda da cozinha.
    - Bom ter acordado. Os frangos parecem com fome.
    - O que é isto? O que aconteceu?
    - Você é fraco. Acertaram-lhe uma vez e ficou inconsciente.
    - Não fui feito para brigar. Por quanto tempo fiquei apagado.
    - Alguns minutos. Meu pai deve tê-lo ensinado algo para se defender. O que eles procuravam?
    - Gabriel tentou me ensinar, mas também não sou de uma família de campeões. Eles só querem de volta o valor que peguei emprestado. Com certeza eles voltarão.
    - Por que da dívida? Você tem frangos, bons frangos. Pode comercializá-los. E também confecciona armas.
    - Ótimos frangos. Os melhores da região. Gabriel costumava amarrar seus pés e lhes levar para exercícios. Chamavam-no de louco...
    Ele levantou-se com o que havia derrubado.
    - ... Ainda assim, são os melhores frangos da região.
    - As espadas, não são mais usadas aqui?
    - Tenho algumas encomendas, porém agora trabalho sozinho.
    - Não é possível não terem guardado nada.
    - Guardamos sim, bastante. E quando não foi o suficiente procuramos por mais dinheiro, para encontrá-la. Consegui encomendas com pagamento adiantado... Tudo foi feito. E quando não houver mais dívida a pagar colocarei os frangos no carro e partirei para outro lugar.
    - Não vem de uma família de viajantes.
    O rapaz suspirou olhando o teto. Ponderou sobre a verdade.
    - Também não pertenço mais a este...
    - Eles não retornarão para lhe cobrar os 15.000.
    - Você... Pagou a eles?
    - Trabalhos perigosos são bem remunerados para aqueles que sobreviverem.
    - Obrigado! Pagarei-lhe...
    - Conte-me. Conte-me sobre eles!
    - Sobre os dragões?
    - Sim.
    - Outra hora. Tenho coisas para...
    - Agora!
    Ele viu o desafio em seus olhos, e preferiu sentar-se. Ansiosa Flamma Aurora sentou-se nos tornozelos, sobre o tapete agora queimado.
    - Só posso te contar a partir do que escutei de minha família.
    Os olhos dela brilharam com a expectativa.
    - São tantas gerações... Deviam ter... Metade dos dragões de quando começaram a ser caçados, há tantos anos. Um homem queria caçá-los, diferente de todos de sua família, que queriam compreendê-los.
    ‘Claro que os dragões eram selvagens, agressivos... Mas isto nunca quis dizer que eram cruéis ou sanguinários. Naquela manhã, um foi muito cruel.
    ‘O grupo de jovens caçadores, liderados por um experiente sobrevivente de outros combates, aprisionou um animal ferido, à beira da morte.’
    Flamma Aurora fechou os olhos.
    - Este jovem, de família tão pesquisadora, foi o encarregado pela sua morte, e o fez. Perfurou seu pescoço com uma lança e respirou as cinzas que haviam em seus pulmões.
    ‘As cinzas o cegaram, queimaram-lhe as mãos...
    ‘Os caçadores o abandonaram, temerosos. Sozinho e ferido conviveu com o cadáver do dragão até que o encontrassem e o entregassem à família. Ele noivou, casou, teve filhos. Uma vida normal se é normal nunca ver seus entes queridos.
    ‘Foi percebido que ele sabia de coisas sobre os dragões. Quando saiam para se alimentar, se reuniam ou quando atacariam... Ele nunca deixou sua família em um local antes que este fosse atacado pouco depois.’
    - Por que não protegeu os dragões?
    - Eu não sei. Talvez tenha tentado. Talvez tenha tido medo, tanto pelas pessoas quanto pela família. Sabe que nunca tive a oportunidade de por os olhos sobre um dragão. Apenas... Tantas gravuras e ilustrações...
    - Como eles conviviam entre si? Como era a sua sociedade? Quantas famílias nobres havia?
    - Eu não sei.
    - Quantos descendentes dos originais? Quantas pessoas eles mataram?
    - Eu não sei. Eu não sei!
    Arrependido do modo como falara ele levantou-se.
    - Desculpe... Vou tomar um banho. - Julio.


    #######################Capítulo VII – Submissão Canina #######################

    Flamma Aurora levantou-se cedo. Se se recordava bem o mercado estaria com grande movimento em breve. Dirigiu-se para o local ao amanhecer.
    As ruas, antes limpas, estavam imundas do dia anterior e dos pecados da noite. A cada passo era um copo de barro, quebrado, ou restos que os cães disputavam... Até que escutassem os barulhos das correntes e tentassem escapar... Caso não estivessem feridos.
    A mulher virou-se para trás, para o ruído de correntes, e viu-as pendendo do braço e ombro de um homem. Ele mirava na cachorra próxima a um buraco e de onde se escutavam fracos ganidos.
    - O que vai fazer? – Flamma Aurora.
    - Abater o meu gado. – Osso.
    - Esta cachorra é minha.
    - Todos os cães desta cidade pertencem a mim.
    - Está é minha, e também seus filhotes.
    - Sabe como é macia a carne de filhotes? É melhor sair da frente caso não queira se machucar.
    - Quanto quer por eles?
    - Não comercializo carne que caminha. Trás apenas pulgas para esta vila.
    - Eu os compro. Quanto quer?
    - Não estão à venda. Agora saia da frente, tenho um açougue para cuidar!
    Osso viu-a colocar-se entre ele e a família canina e sorriu da tolice que via diante de si. Avançou devagar até ela.
    - Quer que eu a retire à força?
    - Venda-me seus cães.
    - Vendê-los duas vezes? Para você e depois que capturá-los? As carnes que vendo são sem pêlos...
    - Ninguém comerá estes cães. Venda-os.
    Osso tentou empurrá-la do caminho, a mãe rosnava. A mulher não se deixou ser retirada.
    - Venda-os para mim!
    - A senhora quer se machucar? Pois bem, tratarei-a como estes animais. Sua última chance de retirar-se.
    Nenhum cão voltou-se, continuaram todos pelos seus caminhos de fuga. Osso empurrou-a com mais força, no que Flamma Aurora devolveu retomando seu lugar de escudo dos cães. Irritado o homem deu-lhe um tapa no rosto, ao que ela se anteve firme. Levantou a mão novamente contra ela. Os feirantes passaram a observar.
    - Venda-os para mim!
    - Apenas depois que estiverem mortos!
    Flamma Aurora cerrou os dentes, suportando mais agressões, seus olhos começaram a brilhar, ansiosa. A praça parecia ficar mais quente e Osso ofegou, irritado.
    - Venda-os!
    - Por que os quer tanto? Eles não valem nada!
    - Ou os vende ou lançarei veneno nas ruas, e não poderá vender nenhuma carne, pois todos eles estarão mortos e contaminados.
    - Não pode me tirar o trabalho.
    - Venda-me estes cães.
    - Eu vou matá-la, sim. Assim não envenenará os cães. Acertarei-a tantas e tantas vezes que o chão ficará marcado com o seu sangue.
    Osso afastou-se para girar a corrente. Os feirantes pediam para que os cães fossem vendidos vivos. A corrente acertou-a no braço esquerdo, deixando imediatamente a marca dolorida e suja do metal. Flamma Aurora não saiu da frente no golpe seguinte, mas segurou a corrente com a mão enluvada. Não podia mostrar suas mãos em público no inverno, elas certamente estariam vermelhas.
    - Venda-os para mim.
    - Eles são churrasco para esta tarde.
    Flamma Aurora puxou a corrente embora Osso tentasse libertá-la. Quando a outra pessoa do outro lado da corrente chegou perto o bastante ela acertou-lhe no rosto, lhe quebrando o nariz. Osso reclamou a dor com as mãos ao redor da área, ele pegou a faca no quadril.
    - Sua... Cadela! Você vai para o Açougue, junto com estes... Animais!
    Ela deixou-o investir contra si e girou à sua frente. Seu longo cabelo cegou-o e ela conseguiu desarmá-lo da faca que lhe tentou perfurar.
    O cotovelo acertou-o no mesmo local anterior, e o soco no olho esquerdo. Flamma Aurora deixou-o no chão antes de colocar os filhotes em uma caixa e retirar-se sob os olhos de todos os feirantes – e alguns cães que espreitavam – e foi para casa. A mãe dos filhotes acompanhou-a em seus por parte do caminho, ficava cada vez mais para trás, e não se importava se estava na estrada ou na beira dela ao morrer.


  3. #13
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    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    Citação Postado Originalmente por Arctos Ver Post
    Sem morte não tem graça. uu"
    Chama-se Gabriel? '-'
    Sim ^^
    Citação Postado Originalmente por Arctos Ver Post
    A mãe dos filhotes acompanhou-a em seus por parte do caminho, ficava cada vez mais para trás, e não se importava se estava na estrada ou na beira dela ao morrer.
    Gostei dessa atitude da Aurora ^^
    Libertar os cães foi legal.
    E essa última parte, que eu separei, foi bem interessante. A mãe não precisava mais se preocupar com nada, seus filhotes estavam a salvo.
    Continue escrevendo ^^
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  4. #14

    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    #########################Capítulo VIII - In Flamme#########################

    Julio saiu da cama com os latidos infantis, irritado com a possibilidade de mais uma noite insone.
    - Aurora, estes filhotes precisam de alguma coisa! Eles estão se matando lá fora. – Julio.
    Ela também saiu de seu quarto, até a janela. Julio preparava um chá.
    - Eles latem todos os dias... Dia e noite, faça chuva ou não. – Julio.
    - Estão habituando-se.
    - Habituando-se, há 7 dias... Não sei, ainda, porque você os trouxe, ainda mais sem a mãe...
    - Não sei onde ela está, e eu os trouxe para não estarem à mesa de ninguém.
    Ela saiu da janela, retornando ao quarto. Um barulho de lata veio do lado de fora.
    - E também não sei como consegue dormir com todo este barulho. – Julio.
    - Quando há barulho tudo está como se deve.
    - Tente dormir com um barulho destes. Fiquem quietos!
    Os cães calaram-se e Julio sorriu imaginando se houvesse dado a ordem antes. Flamma Aurora parou à porta do quarto tendo atenção aos ruídos.
    - Não acredito, faltam três horas para o amanhecer e ainda estou acordado... As encomendas nunca ficarão...
    Ele parou ao escutar uma corrente pesada na madeira e Flamma Aurora ouviu também o passo. Não se escutava um som dos filhotes. A mulher saiu à porta e Julio acendeu as luzes do lado de fora.
    - Sabia que ainda estava na cidade... Vim buscar os meus cães! – Osso.
    - Você roubou estes filhotes? – Julio
    - Ele não quis vendê-los. A minha espada. – Flamma Aurora.
    Ele alcançou a ela a arma e comprovou sua leveza. Flama Aurora desceu dois dos degraus, não era apenas Osso que estava ali.
    - Não são convidados aqui! Retirem-se! – Flamma Aurora.
    - Não antes que me devolva os cães. – Osso.
    Flamma Aurora levou o indicador e o polegar aos lábios, ao sinal do assobio os filhotes saíram da pequena e quente casa de ferramentas e se encaminharam para o interior da residência.
    - Vocês não conseguirão levá-los. – Flamma Aurora.
    O menor deles jogou uma pedra no tamanho de uma caneca, o que foi fácil da mulher desviar.
    - Quero os cães, e a sua cabeça pelo que fez na rua no outro dia. – Osso.
    - São seus empregados? Vai feri-los por minha causa? Não tem medo que eu os mate? – Flamma Aurora.
    - Eu os pago. Pertencem a mim.
    Os olhos de Flamma Aurora estreitaram-se e ela acenou com a cabeça, entendendo o que ele queria dizer.
    - Eu os compro.
    - Não estão à venda! Não vendo nada do que é meu! Pietro, Vidro! Vamos pegar de volta a carne. Faço questão de ter estes animais no meu almoço amanhã. – Osso.
    Os dois homens não gostaram do que ouviram, mas sendo empregados avançaram para a casa.
    Flamma Aurora saiu, completamente, e instruiu Julio a trnacar a casa.
    Pietro lançou outra pedra, desta vez maior, e Flamma Aurora rebateu-a com um chute. Vitro investiu com facas e a mulher esquivou-se, deixando-as cravar na madeira da casa. Osso girava a corrente, aproximando-se enquanto Flamma Aurora era distraída.
    - Você não ganhará novamente. – Osso.
    - Venda-se para mim. – Flamma Aurora.
    Osso tentou acertá-la com o cadeado preso a corrente, quando Flamma Aurora desviou seguidamente até alcançá-lo e o derrubar com uma rasteira. Atingiu-o no estômago, como fora atingida, e em seguida no queixo. Ao deixá-lo inconsciente notou-lhe o nariz que havia quebrado dias antes.
    - Vão levar os meus cães?
    Pietro e Vitro pularam a cerca da propriedade, em direção às suas casas, apressadamente. Flamma Aurora se confortou em seu sobretudo de duas caudas e se sentou na tora, usada para o corte de lenha, até que o dia raiasse ou Osso acordasse, o que aconteceu ao horário do almoço. Ainda que latissem os filhotes se recusaram a sair da casa.
    Osso tinha lama e óleo, tecido e água, ferro e álcool, e fogo sobre si.
    - O que está fazendo comigo! – Osso.
    - Reduzindo os danos em seu estômago.
    - Por quê?
    - Venda-se para mim.
    - Sua vaca. Não vai...
    - Preciso que alguém ajude a cuidar de minha casa enquanto eu estiver fora. Há três vagas, pago bem.



    ########################Capítulo IX – Dia de Pagamento#########################

    Osso era o responsável pelo quintal dos fundos e, até então, Vitro o único responsável pelos filhotes. Julio e Pietro trabalhavam de calça, sapatos e avental de couro duplo, a casa de forja era quente, ainda que houvesse neve ao redor.

    Flama Aurora investia contra a mesma árvore de anos atrás, chegando a metade a espessura da madeira, com maior agilidade, porém sem precisão.
    Poucas lascas passavam próximas a ela, e Osso a observava, prestando atenção a neve que empurrava para um lado e as lascas que teria de juntar no dia seguinte.
    - Quem lhe ensinou isto?
    - Meu pai. Era moto caçador.
    - Moto caçador? Ouvi falar deles. Mas nunca cheguei a vê-los, ou aos dragões, realmente. Soube que os últimos mortos estavam...
    Os golpes contra árvore pararam. Flamma Aurora a observava sem prestar-lhe atenção.
    - Bem, de qualquer modo os dragões, estando ou não, nunca chegaram a influenciar este lugar. – Osso.
    Vitro foi quem viu o homem aproximar-se, e Pietro a seguir. Estava bem agasalhado, revelando vir de longe e algum status.
    - Visita? – Pietro.
    Julio o viu e vestiram-se de casacos ao saírem da casa de forja.
    - O que procura? Estas terras não estão...
    - Senhorita Flamma Aurora encontra-se?
    Ela aproximou-se, com alguns filhotes aos seus pés, e passou por Julio, Vitro e Pietro.
    - O que deseja? – Flamma Aurora.
    - O patrão pediu-me para buscá-la. O serviço se acumula. Ele pagará bem por interromper suas férias.
    - As cumprirei aqui, Rodrigo. Há quatro anos não tiro férias alguma.
    - Acontece que um grupo de panteras tem destruído alguns equipamentos. Poderia convidar-me a entrar?
    - Algum ferido?
    - Nenhuma baixa até eu sair, se é o que realmente quer saber. Sabe o quão longe venho, poderia...
    - Devia avisar de sua vinda.
    - Certo. Onde encontro uma hospedaria neste lugar?
    Ele aguardou em silêncio pela resposta. Flamma Aurora não sabia a resposta, ou o quanto o lugar havia mudado.
    - Sinto informar, senhor, porém não há. – Julio.
    - E não posso ficar aqui...
    - Deveria avisar. Não há lugar na casa ou para acampar fora dela. – Flamma Aurora.
    - E os cavalos? Eles...
    - Não há espaço para eles também. Retorne para a Floresta Oculta, se desejar. Diga para não entrarem na área das feras até meu retorno. Resolverei quando estiver lá.
    Rodrigou viu-se sem opções e retirou-se prometendo acampar em algum local e levou seus cavalos. Flamma Aurora retornou para os fundos.
    - Continuem com seus trabalhos. – Flamma Aurora.
    Foi o que fizeram, naquele momento. Julio retornou com seu ajudante para a casa de forja.
    - Senhorita Aurora, realmente vive na Floresta Oculta? – Osso.
    - Aqui é minha casa, Floresta Oculta é meu trabalho. Como aqui é o seu trabalho, por período integral.
    - Mal posso esperar para que me pague. Trabalhos integrais dão um bom dinheiro...
    - Nunca valerão mais do que trabalhos perigosos. O que pretende fazer?
    - Eu não sei. Montar um comércio. Afinal 1700 é um bom dinheiro.
    Flamma Aurora olhou a árvore já mutilada de alguns galhos, escutando os planos de Osso.
    - Cães são os mais leais e companheiros seres.
    - Será surpreendida por eles em algum momento, é bom tomar muito cuidado.
    - Vá ajudar Vitro.
    - Mas eu...
    - Amanhã Vitro o ajudará com isto. Há muitos cães famintos na cidade.
    Com este trabalho Flamma Aurora esperava aproximar Osso dos animais e lhes compreender o apetite. O homem foi servir a sopa de restos de carnes com Vitro.
    As bacias rasas e metálicas, lavadas com a própria neve, foram colocadas no lado de fora da grade e a primeira panela fora ali colocada. Dentro do terreno foram colocados pratos metálicos menores. Aos poucos cães de toda a região, e talvez mais longe, aproximavam-se para comer.
    Os filhotes passavam por uma pequena abertura para comer juntamente com os filhotes da casa. Para eles a sopa não havia ossos e a pele era triturada.
    Osso observava os animais com repulsa e ódio.
    - Vá lavar-se para o jantar. – Flamma Aurora.
    Ela viu-o entrar e voltou-se para Vitro com uma ordem.
    - Ninguém fere os meus cães, e o responsabilizarei pessoalmente caso aconteça. Avise a Julio que sairei agora. – Flamma Aurora.

    Ela encontrou o acampamento pela fumaça que subia ao céu. Nas chamas não havia coisa alguma a se comer, apenas uma garrafa que recolhia o gelo colocado em uma peneira de metal e que derretia. A função daquele fogo não era apenas aquecer a quem o havia acendido.
    - Boa noite, senhorita Flamma Aurora. – Rodrigo.
    - Trouxe o dinheiro?
    - Sim. O salário da senhorita. Mestre Nando mandou dizer-lhe que para o dobro de um salário se retornar de imediato.
    - Não há valor que me convença. Restam poucos dias e retornarei. Mestre Nando não ficará sem meus serviços.
    - Mas...
    - Em 7 dias retornarei, não antes. Venha comigo, caso queira.
    - Não ficarei aqui. Não sei como pode viver aqui. Está é uma péssima cidade.
    - Um péssimo local, realmente. Mas não importa, é aqui que ficarei. Caso deseje, vendo frangos de ótima qualidade, caso precise vendo espadas também. Fique quanto tempo quiser, ou vá o quanto antes.
    Flamma Aurora pegou o pacote vermelho e de veludo amarrado por uma corda prateada e abriu-o despejando o que havia sobre a própria sacola. Havia moedas e ouro e prata, notas, pedras preciosas ou semipreciosas, como esmeraldas e safiras, e o que mais lhe agradava aos olhos, as pérolas.


  5. #15
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    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    Agora tô mais curioso ainda.
    O que ela quer fazer nessa cidade?
    O que ela pode fazer em sete dias?
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  6. #16

    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    Em 7 dias ela vai começar a voltar ao trabalho. '-'


    ####################Capítulo X – Castelo, Reino de Cães####################


    Flamma Aurora levantou-se sabendo da dificuldade do dia. Vestiu-se e penteou-se – ao seu modo – e ajeitou o quarto antes de seguir para o café da manhã.
    - Bom dia. – Julio.
    - Sim. – Flamma Aurora.
    Esta era a resposta de desejo mútuo para aquele dia.
    - Aquele homem está aí fora, novamente. – Pietro.
    Ela olhou. Realmente Rodrigo estava ali, observando a estrada e montado em um dos animais.
    - Não há problema. Ele aguarda que eu vá. Hoje é meu último dia aqui.
    - Parte hoje? – Vitro.
    - O dia não chegou ao fim.
    - Eu estava muito preocupado com você, por todos estes anos. Sabendo agora o que faz peço que fique. Era o que o seu pai queria. – Julio.
    - Não era o que queria?
    - Pode ficar. Tem um bom dinheiro guardado, eu sei. Podemos fazer espadas, vender frangos, criar cães...
    - Irei para a Floresta Oculta.
    - Que seja!
    Contrariado Julio saiu da mesa à pia. Queria pensar, tentava pensar. Quando Flamma Aurora foi até ele manteve-se imóvel ao ser abraçada com as lágrimas se derramando em seu ombro.
    - Mestre Gabriel e você foram os melhores acontecimentos em minha vida. Ele me teve como filho, foi o que ele disse! Que eu devia lhe proteger como irmão mais velho... Mas você é tão mais forte!
    - Manterei contato, e retornarei em um ano. Preciso trabalhar.
    - Sim, eu entendo o trabalho que deve fazer. Mande notícias o quanto antes.
    - O dia não chegou ao fim.
    Flamma Aurora ordenou que a sopa da manhã fosse disposta mais cedo aos cães e os seus filhotes foram trancados dentro da casa adaptada, já estavam grandes e o canil que construíram era 3x3.
    A neve cobria todo o caminho da casa à rua e ela não importou-se com a retirada dela, ou com as vasilhas que alimentaram os cachorros e que ficariam expostas a qualquer passante.
    - Para onde vamos?
    - Serão pagos Osso, correto? Há sete dias trabalham para mim. Julio trabalha para mim há quatro semanas.
    - O quê? Eu não trabalho para você!
    - Mantém a minha casa e alimenta a mim e meus funcionários. E cuida de minha criação de frangos.
    - Eu moro lá. A criação de frangos é minha.
    - Tudo se tornou meu quando paguei as dívidas do local, e os frangos eu herdei. Este é o seu salário.
    Flamma Aurora entregou a ele um envelope e ele não acreditou nas notas que havia dentro. Osso pigarreou.
    - E o nosso salário?
    - Ainda não chegamos.
    Ela deu mais alguns passos e virou à esquerda, onde alguns dias atrás havia um abatedouro. O muro alto não deixava ver o interior, mas ao girar o trinco externo puderam entrar. A área aberta, 25x25, mostrava setores divididos por grades baixas e a área coberta, apenas 15x15, mostrava canis pequenos e leves, de madeira, uns sobre os outros, com casinhas e rampas. Cada pequena casa com suas trancas e as próximas ao chão, maiores. Sobre esta área coberta erguiam-se três andares.
    - O que é isto? – Julio.
    - Montou um canil? – Pietro.
    - Este é o salário dos três juntos. – Flamma Aurora.
    - Qual é! Eu quero o meu dinheiro!
    - Com o seu dinheiro não conseguiria fazer muito, Osso. Com os três isto se tornou possível. Dividi o restante do valor.
    - 200! Apenas isso?
    - As próximas três semanas virão juntas, mandarei que entreguem pessoalmente.
    Irritado Osso segurou as abas do casaco de Flamma Aurora.
    - Solte-me. – Flamma Aurora.
    - Não pedi nada disto. Quero o meu dinheiro.
    - Não vejo porque estar irritado. Você vendeu-se para mim.
    Ele a soltou e ela começou a explicar a função do prédio.
    - Aqui estão as chaves de todos os portões e acessos. Estas outras são chaves dos apartamentos, no segundo andar. O primeiro é o andar médico e o terceiro... Fica a critério dos senhores.
    - Eu não acredito que ficamos sem o nosso dinheiro. – Pietro.
    - Nem eu. – Vitro.
    - Por que não compram algumas coisas com o que têm? – Julio.
    - Veja quem se encontra por aqui. A luxuosa e o criador de frangos...
    - Boa tarde Otávio. – Julio.
    - Mas que belo empreendimento... Até me faz lembrar dos juros pelo empréstimo.
    - Não mencionou...
    - Havendo juros este foi somado ao valor, não é meu problema o seu... Equívoco. – Flamma Aurora.
    - Você tem bastante dinheiro, e o valor foi pago com muito, muito, atraso. – Otávio.
    Flamma Aurora caminhou à frente de seus funcionários, desafiando quem a desafiava.
    - Retorne ao seu mestre e relate o seu erro. Que ele venha ter comigo caso haja algum problema.
    - Quero o valor original pelo atraso do pagamento e mais 5.000 por aguardar até a data de hoje. Isto deixa um total de 20.000. – Otávio.
    - Que o teu mestre me procure.
    Ela deu-lhe as costas, ao que Otávio sacou de sua espada e ela parou.
    - Escolha dentre eles, senhora, um campeão e que ele lute por você.
    Flamma Aurora tirou a adaga de sua cintura e lançou acertando a parte oposta da lâmina que o atingiu provocando que a espada caísse ao chão.
    - Não te aproxime de minha casa, não ameace aos meus funcionários, não tome o que não lhe pertence... Não fira o que não pode matar.



    ####################Capítulo XI – Partida####################


    Cavalgaram por 12 horas ou mais a cada dia. Não fora à toa que aqueles animais haviam sido escolhidos. Pela manhã Flamma Aurora havia se desfeito de seu casaco, dando-o a um andarilho. O clima era quente e ela suava.
    Juntamente com ela Rodrigo ia longe da margem do rio, onde formava-se vilarejos, porém em momento ou outro precisavam entrar em algum. Ele gostava de comer luxuosamente e Flamma Aurora apenas o acompanhava, sua caça estava sempre guardada.
    - Com tanto dinheiro, devia comer melhor... – Rodrigo.
    Ela não respondeu.
    - E aquela casa... Por que precisa dela e daqueles empregados?
    - É a casa de meu pai.
    - Seu pai? Não o vi. Como ele está?
    - Morto.
    Rodrigo a escutava com nenhuma sensibilidade, a inexpressividade dela atraía isto de todos e ele preferia dar atenção ao seu prato.
    - Você pode trazê-los para trabalhar aqui, e quem sabe construir uma casa aqui. Não digo para que se case com um deles por que... Você poderá matá-los facilmente, não é, Flamma? Mas não precisa da vida daquela cidade... Cidade não, vila, daquele pequeno vilarejo...
    Flamma Aurora levantou-se da mesa do restaurante dirigindo-se à saída. Aguardou com os cavalos até que Rodrigo terminasse.
    Retomaram a viagem em seguida. Ela comia, sobre o cavalo, uma lebre abatida. Sua carne macia sujava seus dentes e Rodrigo ia à frente para não assistir a cena.
    - É isto que digo quanto a comer luxuosamente. Você é uma bela mulher, com poucas cicatrizes, e come a carne que você caça, e a come... Praticamente crua.
    Tudo o que viam, dia e noite, eram árvores e a montanha coberta delas, à distância. Não acenderam fogueira para aquecerem-se ou afastar animais. Embora Rodrigo confiasse em sua acompanhante tinha as rédeas de seu cavalo em mão e a arma de fogo em outra.
    Flamma Aurora podia escutar o rio há quilômetros de distância, e a cobra serpenteando três árvores atrás de si. Fechou os olhos e dormiu.
    Pela manhã Rodrigo acordou, sem vê-la despertar, na mesma posição que havia dormido. A mulher, prestativa pela necessidade, dava água, e algo doce, ao seu cavalo também.
    - Não dorme?
    O tempo nublado demonstrava todo o calor possível, prometendo o temporal para ainda aquele dia. Ao chegarem, à tarde, no primeiro acampamento uma jovem, quase uma criança, tomou as rédeas dos cavalos e recepcionou-os.
    - Que bom chegarem antes da tempestade, Lady Flamma. Mestre Nando deseja vê-la o quanto possível no acampamento Cecóia. – Talita.
    - Deixe-a respirar! Ela mal chega e já a importuna!
    - Perdoe-me Lady Flamma. Mentor Rodrigo, deixe-me cuidar de seu pássaro... Onde está o pássaro mensageiro?
    - Vila Letícia. Não creio, ainda, que me convenceu a deixá-lo naquele lugar... Imundo!
    - Você me alugou-o por cinco meses. – Flamma Aurora.
    - O que espero é que me o devolva inteiro.
    - Qual o valor pelo aluguel, Lady Flamma? Mais do que uma compra?
    - Não se intrometa, criança abusada!
    Flamma Aurora segurou o ombro do homem, que ao virar-se leu a morte nos olhos da mulher, caso tocasse Talita. Ele baixou os braços tentando relaxar o espírito e deu meia volta ao seguir para o seu chalé coletivo.
    - Lhe agradeço, Lady Flamma. Não sei o que o irrita, em mim. Ainda que eu tente agradá-lo. Por aqui, Lady. As panteras assustaram os animais e trocamos o lugar do estábulo.
    - Aproximaram-se tanto?
    Talita apontou o outro lado, mostrando o dano de algumas construções. Madeiras caídas e úmidas, embora queimadas. Marcas de garras eram visíveis claramente.
    - A maior parte foram os próprios cavalos, assustados, e de nós mesmos. Mas há marcas das feras.
    - Alguém se feriu?
    - Bem...
    Flamma Aurora temeu a resposta, quase arrependida de ter feito a pergunta. Talita terminou de livrar os cavalos dos arreios.
    - Danna morreu. Teve de ser sacrificada. Ficou muito ferida e fraturou uma pata.
    A mulher colocou a cabeça sob a água dos cavalos ainda que começasse a chover e alguns escapassem. O calor era, ainda, insuportável.
    Talita juntou-se aos outros jovens e continuou seu trabalho deixando a mulher seguir para o outro acampamento.
    - Que bom revê-la, Lady Flamma. – Nando.
    Era visível a falsa alegria do homem de seus cinquenta anos, mas Flamma aproximou-se sem medo ainda que a ele servisse apenas de serviço braçal ele nunca a subestimou ou se superestimou.
    - Soube das panteras.
    - Sim. Ao que parece decidiu ficar mais tempo em viagem quando Sr. Rodrigo foi ao seu encontro.
    - Onde está minha equipe? Posso trabalhar desde agora.
    Nando riu e colocou os binóculos diante do rosto, em direção ao interior da floresta. Flamma Aurora acompanhou seu olhar e pegou, também, outro par de binóculos.
    - Em qual atividade estão?
    - Gás sonífero, distribuído no local. O melhor que consegui quanto às panteras. Deve ter visto o estrago que fizeram no estábulo.
    - Talita mostrou-me. Quem está no comando?
    - Jorge.
    Flamma Aurora observou ao redor de sua equipe, distantes e próximos entre si. As folhagens se moviam. Ela soltou o aparelho.
    - Soe a contenção!
    - Mas o que...
    - Agora Mestre Nando!
    A mulher saltou a mureta do maior chalé e partiu em direção do interior da floresta. Sentia o clima hostil vindo de entre as árvores. Pegou um RT 44 de um dos homens no caminho e deu dois tiros para o céu. Soado ou não aquele fora um alarme. O que não impedia o avanço dos animais.
    A arma de poucas balas fora abandonada ao se tornar inútil e pegou outra, desaparecendo na floresta onde as gotas da chuva, agora grossas, eram aparadas pelas largas folhas. Flamma Aurora desapareceu.
    Ela tentava identificar qual o perigo mais próximo com ouvidos atentos e olhos alertas. Estava a 15 metros, ou menos.
    Flamma Aurora correu na direção oposta, sabia extamente onde a equipe se encontrava. Levava uma faca em cada mão, e a direita ela jogou à frente, usando esta mão para saltar a raiz que lhe alcançava o quadril. Continuou. Ágil, e arrancou do chão a faca lançada.
    - Ouviu isso, Supervisor?
    - Não ouvi nada, Renata. Este serviço deve terminar logo. Quero as panteras dormindo antes do anoitecer.
    O mais novo, Thomas, que aumentava a equipe, foi quem a viu primeiro, surpreso.
    - Lady Flamma, está de volta!
    - Estamos em serviço, Lady Flamma. Até o final esta equipe é...
    - Vamos sair daqui, Jorge, agora.
    - Não pode dar ordens à minha equipe, Lady...
    - Não terá equipe, minha ou sua, se continuarem aqui!
    Thomas deixou cair seu borrifador. Jorge tentava identificar os sons ao redor, porém era inexperiente comparado a Flamma Aurora.
    - Eu os deixarei ser o jantar caso não me acompanhem.
    Correram, Flamma Aurora e Jorge para trás. Os rosnados estavam mais próximos. Uma pantera saltou sobre seu alvo, Flamma Aurora tirou Jorge do caminho, rolando para o outro lado. Ele levantou-se antes. Outra pantera juntou-se à primeira.
    - Continue!
    Flamma Aurora segurou a pantera que o seguiria pelo quadril, atirando o corpo sobre si e ficando embaixo quando uma atacou-a.
    Todo o material ficara para trás. Flamma Aurora sentira a garganta queimar e minutos depois nenhum acreditou ao vê-la sair inteira da floresta, novamente.
    Última edição por Arctos; 12-02-11 às 15:33


  7. #17
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    O que esse Otávio quer? Já não bastou ser humilhado da primeira vez? Desse jeito ele acaba morto.
    Gostei bastante da atitude dela quanto à equipe nesse último capítulo. Principalmente de perceber que ela tbm solta fogo pela boca \o/
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  8. #18

    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    Mas eu não falei que ela solta fogo pela boca. '-'
    Ela só está ficando resfriada... ._.

    #####################Capítulo XII – Palavras que Queimam#####################



    Sua garganta lhe incomodava tanto que estava outra noite sem conseguir dormir. Bebeu outro copo d’água e recostou-se no travesseiro. Era outra noite quente e deitou-se sobre as cobertas.
    Os homens, e poucas mulheres, vestidos de couro e coletes – pretos – e podia escutar roncos de motores e ofensas ao animal encurralado. Foi Gabriel quem a tomou frente e sentiu o calor do fogo antes de perfurar do couro até o coração do dragão.
    O selvagem animal transformou-se em uma menina de 12 anos e Gabriel chorou ao ver sua filha perecer, tanto quanto Caliel sorria...
    Acordou repentinamente, olhando o teto de seu chalé. Estava terrivelmente escuro, porém conseguia distinguir bem cada uma das vigas. Olhou a janela.
    Fora algumas luzes do acampamento a floresta continuava tão escura quanto sempre fora. Mesmo de dia aquelas árvores sempre foram misteriosas e suas folhagens demonstravam apenas uma sombra ffria.
    Sentou-se e se serviu de mais água. Caminhou pelo quarto escuro e descobriu um dos escritos de seu pai, não acendeu a luz para começar a lê-lo. Porém conhecia sua exaustão e o árduo trabalho ao amanhecer. Voltou a se deitar, e bebeu o segundo copo d’água.
    O sol brilhava forte nas primeiras horas da manhã, não se via nuvem alguma no céu. Da chuva que caíra há alguns dias apenas a floresta guardava, o solo lamacento e as gotas que ainda escorriam das folhas.
    Thomas bateu à porta, como lhe ordenado pelos colegas de equipe. Era o novo membro da equipe, e o mais novo dentre todos. Com Flamma Aurora de volta não havia trabalho de campo que pudesse acompanhar.
    Entrou pela porta destrancada ao não ter resposta e viu o chalé tal como os outros de mesmo tamanho, com exceção do pequeno espelho sobre a cômoda. Uma cama, um criado mudo e um banheiro e uma janela, com cortinas. O tapete que revestia ao centro, sob alguns móveis, era único em todo o acampamento. Na cama viu o suor que escorria pelo rosto e braços de Flamma Aurora e chamou-a. Chamou-a mais vezes...
    Flamma Aurora sentiu, com terror, o seu braço preso e despertou sentando-se repentinamente, parecendo não notar a presença do jovem e verificando, com seus olhos treinados, a segurança do local.
    - Lady Flamma, a senhora está bem?
    Só então ela expirou o ar contido em seus pulmões e sua garganta ardeu. Seus olhos lacrimejaram.
    - Sim.
    - O suor a cobre, Lady Flamma. E parece alterada. Sente-se bem?
    - Sim.
    - A equipe encontra-se preocupada com o seu atraso. Pôde dormir esta noite?
    Flamma Aurora olhou-o surpresa para descobrir como Thomas soubera de sua insônia nos últimos dias ao chegar ao acampamento.
    - Notamos que fala pouco, e o modo como parece exausta. Um pouco de água?
    Ele encaminhou-se ao criado mudo disposto a servi-la, mas restava pouca água no jarro de vidro.
    - Bebeu bastante nesta noite. Não costuma beber tanto de um dia para o outro.
    - Não desejo água. Diga à equipe que me juntarei a vocês em sete minutos.
    - Sim Lady Flamma.
    Thomas retirou-se fechando a porta e dando o aviso à equipe, Flamma Aurora levantou-se e foi até a janela, fechando-a com cortina que permitia a entrada da luz. Virou-se para a cama e viu-a com as marcas de suor.
    Flamma Aurora não utilizou todos os minutos para algo além de lavar o rosto e pensar nos sonhos que tivera. O último deles, do qual Thomas a havia livrado, era ela a mulher entre as chamas, com o corpo marcado por queimaduras. A água de seu rosto evaporou rapidamente, sem motivo aparente.
    O sol, pela primeira vez de que pode ser lembrar, feriu seus olhos. Então lhe deu as costas, forçando a equipe a virar-se para ela.
    - Como estão os preparativos para hoje?
    - Gases e dardos preparados. – Tami.
    - Os gases bastam. Não há motivos para os dardos. – Jorge.
    - Ambos serão uteis. Os gases não farão efeito se não em grandes quantidades, e uma quantidade maior matará as panteras. Vamos desnorteá-las, apenas, e derrubar com os dardos.
    - Tudo bem para mim, Lady Flamma. Todos estão com máscaras? – Renata.
    - Sem sinal de chuva, ou tempo úmido. Caso notem chuva abandonem a posição, no interior para o acampamento, imediatamente. Não seremos páreos para as panteras se tivermos apenas armas de dardos.
    - Mas vocês vão levar os gases, de qualquer modo terão a vantagem.
    - O gás não adianta muito neste clima, e quando chove piora. O gás é desperdiçado e derramado por terra. Quando retornei no outro dia desperdiçamos muitas cápsulas. Que isto não ocorra novamente.
    - Lady Flamma, quando começará a atividade de hoje? - Mestre Nando.
    - Neste momento, Mestre Nando. Vamos. Thomas.
    - Sim Lady?
    - Mantenha todos os equipamentos em ordem, e distribua dardos a mais.
    Flamma Aurora pegou os dardos sobressalentes para o bolso de seu colete de cauda dupla e entrou na floresta antes de sua equipe. Sinalizou-lhes assim que entraram, para que mantivessem vigilância constante. Seguiu a frente lhes indicando as posições e, de repente, ergueu a mão com todos os dedos apontando o céu.
    A equipe estava proibida, pela comandante, de dar qualquer passo, de fazer qualquer movimento em qualquer direção. Momento depois um sinal expressou para que os borrifadores fossem lançados, e foram. Em seguida juntaram-se, podiam ouvir os passos e os rosnados das feras.
    A garganta de Flamma Aurora ardia e viu toda a equipe com armas a postos, com dardos nos bolsos e pendendo, prontos, das roupas. Jorge acertou uma pantera, mas o segundo tiro falhou, um pecado para o melhor atirador da equipe.
    - Jorge, atenção!
    - O que há com você hoje? – Renata.
    - Minha vista está... Meu corpo está relaxando. Não consigo...
    Ele arrancou a máscara e identificou logo o problema na peça danificada.
    - Eu mato aquele moleque!
    - Jorge, coloque a máscara!
    - Ela não...
    - Coloque-a, agora! Abaixe-se!
    Tami puxou-o e Flamma Aurora viu o caminho livre para atirar na sexta pantera, que caiu adormecida.
    - Missão abortada! Retirar membro Jorge é prioridade!
    - Eu posso... – Jorge.
    Flamma Aurora certificou-se, rapidamente, de que o homem não havia sido ferido e colocou sua própria máscara nele. Era seu trabalho manter a equipe com vida.
    Usou de suas armas de dardos simultaneamente, e também logo estas não serviam. Pegou de sua espada e continuou a correr. Não era sua intenção ferir algum animal, mas as quatro vidas eram sua prioridade.
    - Mestre Fred, Danilo! Algo deu errado na equipe de Lady!
    Tati e seu mestre e equipe foram até o local onde Jorge, possuído de forte tosse, tentava respirar ao tempo que queria agarrar Thomas.
    - O que aconteceu? – Danilo.
    - A máscara de Jorge está quebrada. Ele ia adormecer com as panteras. – Tami.
    - Tudo por causa deste moleque! – Jorge.
    - Eu não notei juro! Ou teria pegado outro equipamento para você! – Thomas.
    - E onde está Lady Flamma? – Fred.
    - Estava logo atrás de nós! Ela está sem máscara! – Renata.
    - Mestre Mestre Sérgio, Mestre Danilo. Vamos!
    Eles colocaram máscaras. Os quatro, ao saírem de entre as árvores, trouxeram um rastro de gás.
    Flamma Aurora não escutava mais ameaça, mas sabia que se não corresse não sairia da floresta. Antes que os três homens fossem em sua busca ela alcançou-os e caiu de joelhos, apoiada nas mãos, vomitando o gás que a sufocava.
    Quando a alcançaram, para ajudá-la, o que vomitara havia parado de evaporar.
    - Lady Flamma, eu sinto muito! Se eu houvesse... – Thomas.
    - Você está bem, Lady Flamma Aurora? – Fred.
    - O que aconteceu? Mais material desperdiçado? – Nando.
    Flamma Aurora não pode responder no momento, mas sabia que haveria uma séria reunião.
    Última edição por Arctos; 26-02-11 às 21:27


  9. #19
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    Tô ficando preocupado com ela. O resfriado dela é especial.
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  10. #20

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    ########################Capítulo XIII – Fogo que Dorme########################


    Flamma Aurora com sua equipe trabalhava odiosamente na forja de espadas e facas e também na manutenção das outras armas. Cada qual responsável por uma etapa e Thomas também tinha a sua, a última, a de guardá-las como devia.
    - Ei, presta atenção!
    - Sim Tami.
    - Está contando direito? São dez por pacote, e não doze. Presta atenção!
    - Sim Jorge.
    Flamma Aurora olhou o jovem e retornou ao seu trabalho, o de montar o que Renata lubrificava e antes de repassar a Tami que limpava o excesso de graxa. Jorge amolava as armas brancas e repassava, junto com Tami, para o processo de embalagem dos kits.
    - Ai. – Thomas.
    - Você se cortou? Eu não agüento isso! O que faz em nossa equipe? – Jorge.
    - Deixe-me eu ver.
    Tami, tendo as mãos mais limpas, secou o sangue com a própria roupa. Flamma Aurora afastou-se para pegar mais graxa e aproveitando para se acalmar.
    - Acha que precisa de um curativo?
    - Qual é! Isto é um arranhão...
    - Cala a boca, Jorge! E aí?
    - Eu estou bem. Obrigado.
    Renata continuava engraxando os objetos, porém não olhava o serviço e via bem a graxa que ainda havia nas latas ao seu lado. Olhou Flamma Aurora no depósito.
    - O que acham? Ela quebraria o pescoço de alguém? Parece bem irritada.
    - E graças a quem, hein Thomas!
    - Qualquer dia ela se acalma.
    Thomas levantou-se.
    - Aonde vai? Tem muito trabalho aqui, ainda! – Jorge.
    - Cansei de esperar que ela venha falar comigo. Vou terminar com isto logo.
    - Admiro a sua coragem. Escreverei sobre ela na sua lápide. – Renata.
    Suas palavras não foram encorajadoras para o jovem, ao ver-se caminhar em direção a Flamma Aurora.
    - Eu o admiro também. Ela vai matá-lo.
    Flamma Aurora notou-o aproximar e começou a verificar a data de validade das latas de graxa.
    - Lady Flamma, eu queria... Eu gostaria que soubesse que eu sino muito pelo que aconteceu no outro dia. Não tive intenção de...
    - Quando negligencia o seu equipamento, senhor Thomas, é suicídio. Quando negligencia o equipamento de seu time, ou de qualquer outro, é assassinato.
    Ela retornou deixando-o sozinho. Tami e Jorge colocavam os equipamentos nas embalagens e as guardava, alternadamente. Thomas retornava para o trabalho, ainda na esperança de poder conversar, no serviço que não podia ser parado. Mestre Fred alcançou a mulher antes que se reintegrasse à sua equipe.
    - Lady. Lady Flamma, ele tentou, não tentou? Quero dizer, não é nada que possa ser voltado atrás, mas é um erro que nunca tornará a acontecer, ele reconheceu.
    - Ele cometeu um erro que custou uma vida, Mestre Fred.
    - Ninguém morreu.
    - O que não significa que não tenha um custo. Penso ainda em qual punição submetê-lo.
    - Dá uma chance para ele. É um jovem, e ele se culpa o bastante, tenha certeza.
    Flamma Aurora lembrou seu serviço que muito se acumulava sem a sua presença e deu mais um passo em direção a sua equipe. Mestre Fred segurou-a, mas a soltou de imediato ao ver o olhar recebido.
    - Tudo bem, tudo bem... Façamos o seguinte. Eu deixo Thomas na minha equipe.
    - Ele faz parte da minha.
    - Eu sei, mas ele não está no mesmo espírito que a sua, no momento. E para sua equipe não ficar debilitada a deixo com Duda, o que acha?
    - Duda?
    - Sim. O melhor membro da minha equipe, e tem a idade de Thomas. Você ainda sai em vantagem.
    Flamma Aurora ponderou rapidamente a possibilidade.
    - Está bem. Você tem duas semanas com Thomas.
    - Sem problemas e obrigado.
    Flamma Aurora deu meia volta, retornando ao depósito invés de pra sua equipe. Fred chamou Duda, que se aproximou ágil e foram até a equipe de Flamma Aurora.
    - Venha comigo, Thomas.
    Sem entender bem o rapaz levantou-se vagando o lugar logo preenchido por Duda, que deu início o quanto antes ao seu trabalho.
    - Ei, o que está acontecendo aqui? – Jorge.
    Duda estendeu a mão, em cumprimento, sem importar-se com a mão suja, sua ou de seus novos companheiros. Porém o homem não pareceu interessado.
    - Eu não quero saber! Onde está aquela tampinha do Thomas? – Jorge.
    Duas latas de graxa caíram pesadamente sobre a mesa a céu aberto, interrompendo-o, e ele viu os olhos de Flamma Aurora, baixou a cabeça imediatamente ao retornar ao seu trabalho.

    Thomas seguiu Fred até a outra equipe, sem saber qual o motivo, e ali chegando não soube o que fazer.
    - Mestre Fred, o que deseja de mim?
    - Precisamos seguir com o plano original de Lady Flamma. Vamos entrar na floresta e adormecer quantas panteras pudermos e trancá-las até o final do serviço.
    - Vou trabalhar na mesma atividade que destruí?
    - Não seja tão duro consigo mesmo? Lady Flamma é...
    - Chega Toni. Sua máscara. Prepare-se.
    Thomas pegou as facas lhes entregue, umas delas maior que sua mão. Tato lhe mostrou a arma de dardos e de projéteis que podiam matar.
    - Mire a atire. Para dardos não está travado.
    - Eu vou até lá?
    - Minha equipe vai juntamente com a equipe de Mestre Mestre Sérgio.
    - Tato e eu lhe daremos cobertura. Apenas se mantenha próximo, está bem?
    - Toni, eu não... Eu não posso ir! Eu...
    - Tudo pronto, Mestre Fred?
    - Sim. Estamos indo, Mestre Mestre Sérgio.
    Flamma Aurora aproximou-se escutando os planos dos dois supervisores, e era algo que não poderia permitir.
    - Ele é inexperiente, não está pronto.
    - Thomas estará com dois supervisores, e designei dois de meus melhores para lhe dar cobertura.
    - Eu não permito.
    - Designei Mara ao mesmo. Com ele na equipe de Mestre Fred você não pode decidir isto.


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