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Tópico: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

  1. #61

    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    ####################### Capítulo XXIX - Ecos do Picadeiro #######################


    O dia era nublado quando chegaram. A figura mais alta séria, como sempre. A mais baixa apenas sorria com o filhote lhe lambendo o queixo.
    - tati.
    - Danilo. Duda! Como estão?
    - Foi uma boa viagem. As equipes estão paradas por causa da chuva que vai cair? - Danilo.
    Tati olhou as nuvens e acariciou o pescoço do cão ao baixar o olhar.
    - Também.
    - Aconteceu alguma coisa? Quem pegou aquele filhote de pantera?
    - A equipe SOle, Danilo.
    - Soubemos de um circo. Espero que ainda tenha espetáculo.
    - Não Duda. O circo fechou. Talvez abra em outra cidade, talvez em nenhuma outra. Eu não sei...
    - E onde estão Tato e Toni?
    - Toni está no hospital, e Tato está com ele.
    - O que houve com ele?
    - Desculpem, não sei como dizer diretamente. Foi esfaqueado no ombro, por uma das gêmeas do circo. Raptaram Lady Flamma e seguiram Mestre Fred. A propóstito...
    - O que foi Tati?
    - Mestre Fred, ele... Está morto.
    O cachorro escapou dos braços sem dificuldade. Danilo sentou Duda à mesa e os soluços não demoravam a sacudir todo o pequeno corpo.
    - Duda, calma...
    - Mestre Fred, Danilo! Ele não...
    Duda escondeu o rosto no chapéu, e em seguida no peito de Danilo parado ao seu lado e com o braço em seus ombros.
    - Desculpem dizer deste modo... Duda, ele estava tão diferente. Eu também sinto muito...
    - Levarei Duda ao dormitório, foi uma longa viagem. Venha Duda. Cavalera!
    O filhote seguiu em seus calcanhares, e subiu na cama onde Duda deitou-se. Danilo cobriu-os.
    - Danilo, o Mestre Fred... Ele... Como nosso pai!
    - Eu sei Duda. Mas não gosto de te ver assim. Sabe que te adoro, por favor! Estamos juntos e é o que importa.
    Quando Danilo beijou a testa de Duda, que tinha os olhos fechados de lágrimas, adam ergueu a vista da revista que lia de costas na cama, curioso com a intimidade dos dois.
    - Adam, dá um tempo.
    - Certo Danilo. E... Bem vindos de volta.
    Adam fechou a porta ao sair levando a revista e Danilo deitou-se tentando acalmar Duda e sendo também sacudido por seus soluços.


    Não sentia a mão direita, mas percebeu a mão nos cabelos.
    - Aurora. Aurora, está acordada?
    Os olhos alertas dela examinaram o local, a princípio embaçados, depois fixaram o homem que levantou-se ao seu lado.
    - Aurora.
    - Mestre Carlo.
    A coluna pareceu querer partir-se ao tentar se sentar e o homem logo a parou.
    - Não. Fique deitada. Está com os ombros imobilizados.
    - Onde estou?
    - Don City foi preso com os comparsas. Em uma semana serão encaminhados à corte.
    - Como estou?
    - Te torturaram um pouco. O médico a manteve sedada por alguns dias, até ter certeza de que suas dores teriam diminuído. Deslocou os quadris, os ombros... Aquela tortura bizarra de pesos... Mas você suportou bem, garota.
    Flamma Aurora suspirou.
    - Quando saio daqui?
    - Depende de vários fatores. Está no hospital da cidae, mais perto do circo. Toni foi para o nosso hospital.
    - Quem mais se feriu?
    - Apenas ele. Bem... Aquelas gêmeas filhas da mãe mataram Mestre Fred. Eu queria fazê-lo com as minhas mãos. Don City está relutante em dizer porque a sequestrou. Você sabe o porque? Qualquer pessoa poderia fazer o papel de caçadora, uma atriz. Você não é atriz...
    - Flamma Aurora fechou os olhos. Carlo Stéfano tornou a pegar a mão e sentar-se, preocupado. Ela o olhou novamente.
    - Mestre Carlo, lembra-se do que o Mestre Fred chamou-me?
    - Não ligue para aquele animal...
    - Chamou-me de lagarto? De besta?
    - Não me importo com o que dizem de você, e sim com quel é.
    - Há motivos para a água evaporar de mim, Mestre Carlo.
    Ela piscou e seus olhos mudaram para verde. Gradualmente retornaram ao normal.
    - Isto é...
    - Ao que parece, Mestre Carlo, tenho laço sanguíneo com os dragões. Com os últimos deles.
    - Aurora.
    - Mestre Fred não suportou. Falou a Don City, porém não me vendeu.
    - Você é minha querida Aurora, e não me importa se é indomável. Isto não mudará... Será nosso segredo quanto a isto.
    - Não sou sua, Mestre Carlo. Nem de ninguém.
    - Te ajudaria a saber a verdade da origem do seu sangue, mas por hora recupere-se. Porque eu... Fiquei louco quando saiu de férias, fiquei quando eu saí de férias. Fiquei quando não queria falar comigo, fiquei louco de ciúmes quando saiu com Thomas. Ele gosta muito de você...


    - Tato. Tato, acorda, Tato!
    - Toni? Toni!
    Tato levantou-se de pulo da cadeira ao perceber o irmão acordado.
    - Tudo bem com voc~e?
    - Estou bem, sim. Odeio facas... Não sei como Lady... Como ela está, Tato.
    - Estável. Você a viu pendurada naquele lugar. Estava com uma desidratação severa, também. Pendurada daquele jeito muitas juntas saíram do lugar.
    - Se Mestre Fred sabia porque ele não disse nada?
    - Acho que ele queria Lady Flamma bem longe.
    - Queria?
    - Ele não... saiu com vida do circo.
    - Queria que tivesse saído. Aí eu o matava.
    - Muita gente queria poder matá-lo.
    - E eu saio daqui quando?
    - Saímos em dois dias.
    Tato apontou o braço onde havia retirado sangue para o irmão.


    - Na primeira semana vamos ser encaminhados a corte, para sermos julgados por sequestro e tortura.
    - Sim, Don City. Cuidarei do circo na sua ausência. Não se preocupe. à propósito, as meninas feriram um e mataram outro.
    - Letícia e Patrícia... Como está a situação delas, Madame Viviane?
    - Estão com medo de acabar no presídio. Se ao menos soubessem qual delas matou o homem...
    - ConViver me paga! E o Mestre Fred também pagaria se estivesse vivo... E aquela vadia... Teria uma vida de arainha se estivesse conosco.
    - Flamma Aurora é o nome dela. Apenas isto. Joguei cartas para ela, todas as noites desde que foi preso. Passado, presente e futuro nada bons, Don City. Nada bons. Devia deixá-la em paz.
    - Nunca!
    - Don City, na última vez em que Rainha de Espadas, Força e Vida foram tiradas em um jogo foi declarada a guerra contra os dragões. Nesta sequência esta mulher é uma nober, é forte e viverá muito mais do que nós com sua inteligência. Na pirâmide dela há guerrae morte, com A Herança sobre isto e Vingança no topo. Isto diz, Don City, para termos muito cuidado. A origem de Flamma Aurora é sofrimento e seu destino a vingança... Deviam fugir de alguém assim...
    - Eu vou me vingar, eu farei a guerra, ela ficará sob meus pés, porque toda essa força será minha! Beberei o sangue de um dragão, quem diria... Viverei para sempre Madame Viviane, e os meus filhos...


    A noite caiu e Carlo Stéfano não resistia ao cansaço de horas em claro, e o alívio o ajudou a descansar.
    Flamma Aurora acordou e se permitiu sentir os ombros. Descendo o lençol viu que estava imobilizada por uma faixa larga dos ombros aos cotovelos, estando todo o tronco imóvel. Descobriu-se. Seu quadril também estava imóvel. Fez um pouco mais de força para se levantar, suas costas doíam terrivelmente. Se levantando caiu em seguida, as pernas não a suportaram.
    Carlo Stéfano acordou assustado pelo barulho e levantou-se de imediato ao vê-la sobre o piso.
    - Aurora!
    - Flamma Aurora.
    Ele pegou-a pela cintura, com as mãos, e não deixou que seus pés tocassem o chão quando a colocou novalmente no leito.
    - Eu precisava...
    - Lembra do que houve? Foi sedada por causa da dor, no momento seus braços e pernas não suportam peso... Deveria ter me chamado. De que precisa?
    - Preciso ir ao banheiro.
    - Certo. Eu a levo.
    Ele pegou-a sob as pernas, retornando para buscá-la sem seguida. De volta ao leito a mulher afundou a cabeça no travesseiro.
    - Você não se machucou na queda, machucou? Posso chamar o médico de plantão para...
    - Isto é humilhante. Traga-me uma arma, Mestre Carlo.
    - O que pensa em fazer?
    - Não posso suportar...
    - Ser dependente por alguns dias? Ora Aurora.
    - Flamma Aurora.
    - Lady Flamma, melhor assim? Eu não vou permitir ser insuportável.


  2. #62

    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    O anterior foi XXX, este é o XXXI
    T_T


    ##########################Capítulo XXXI - Descendência##########################



    A chuva que caía na última semana era bravia. Algumas poças de lama aprofundavam-se e era impossível um bom trabalho.
    - Chuva enjoada esta. a umidade só faz piorar esta maldita dor.
    - você não tomar o remédio também, Toni.
    - Ele está certo. A umidade piora a dor. O que significa que deve tomar o dobro do remédio.
    - Aquele remédio me dá sono, Tati.
    - E daí? Não vamos ter trabalho por um bom tempo, com esta chuva. Ao que parece a temporada chegou mais cedo, Tato.
    Na tenda armada à jaula da pantera Thomas aproveitava, de capa de chuva, quando alguém a retirava para caminhar para limpar e secar o local, deixando jornal para mantê-la aquecida. Ao final do trabalho Carlos Stéfano procurou-o.
    - Tenho que ir à cidade. Lady flamma está dormindo. Pode cuidar dela por um tempo?
    - Claro Mestre Carlo.
    No chalé Thomas sentou-se junto a cama, na cadeira deixada por Carlo Stéfano, segurou a mão da mulher, estava quente. Ao lado, no criado mudo, os remédios que ela tomava e a tabela que mostrava quais haviam tomado e seus horários. Há apenas 20 minutos tomara o remédio que baixaria a febre, e daí a uma hora tomaria o remédio para dor.
    A mulher acordou repentinamente, assustada.
    - Lady Flamma, está bem? Conseguiu descansar?
    - Thomas...
    O suspiro cansado dela preocupou-o. Suor lhe projetava da raiz dos cabelos e ela tornou a fechar os olhos.
    - Está com dor? A medicação anterior deve estar perdendo o efeito. Vou lhe dar...
    - Estou bem, Thomas. Só preciso... Descansar mais.
    - Por favor, Lady Flamma! Estarei aqui caso precise de algo.


    - Então é assim que ficamos, Mestre Sérgio?
    - Exato pessoal. assim que esta chuva passar, ou antes, teremos mais um integrante, a Tati. Recebam-na bem e pensem... Como se eu tivesse morrido.
    - Que horror, Mestre Sérgio.
    - Bem, Mara, não será a única garota aqui.
    - É Adam. Mas Mestre Sérgio, não será formada uma nova equipe?
    - Será sim, mas levará tempo, no final das contas, Baco. Virão da ConViver do sul. Trabalham com animais marinhos.
    - Animais marinhos... Quero ver eles conseguirem lidar com panteras...
    - Vamos ser as babás deles. Quantos virão, Mestre Sérgio?
    - Não sei, Baco.
    - Mais lógico seria um Mestre, apenas. É o que falta.
    - E o representante da equipe de Mestre Fred?
    - Toni com Mestre Carlo, Duda e Tato com Lady Flamma.
    - Duda ficou mal pra caramba com isso. É uma boa ele e Lady...
    - É o melhor, acho. É o perfil de Duda e da equipe. Duda não ficaria bem com Mestre Carlo, não acha, Danilo?
    - Ficaria melhor nesta, Mestre Sérgio.
    - Então você teria de sair. Não podem ficar na mesma.
    - Por que não, Mestre Sérgio. Qual a relação entre Duda e você, Danilo?
    - São irmãos, Adam.


    Quão breve fechou os olhos Flamma Aurora dormiu. A noite caia e Thomas acendeu as luzes. Jorge trouxe algo que pudesse comer, porém ela não acordou novamente.
    A estrada que caminhava parecia a de uma pintura, com seu caminho de pedras entre plantas baixas, uma estreita linha entre flores secas.
    Procurou armas. kO local era tão calmo e sereno que parecia ameaçador... O vento suave arrastava as nuvens preguiçosas, e o brilho à distância chamou a atenção.
    Seguiu a trilha e no momento em que contornava um lago prateado deteu-se e se aproximou. Haveria algum barco ali? Haveria algum peixe ali?
    Não vira pássaros, não vira insetos. Cobras, ratos, cavalos... Nenhum ruído, sequer o do vento, ou dos movimentos das plantas. O sol intenso ressecou sua pele. Teve sede e ajoelhou-se à margem.
    Olhou ao redor outra vez, se certificando de que não seria surpreendida, e com concha de mãos bebeu. Bebeu de novo e de novo.
    Suas mãos manchadas de sangue a sobressaltaram, e a sua frente não havia um lago, e sim uma poça. A poucos centímetros um corpo sem peito ou pescoço.
    O vento parou, sua voz não teve som. Levantou-se. Seus joelhos molhados e tingidos de vermelho, o sangue escorrendo por seus braços. Com as costas das mãos notou que seus lábios também estavam ensanguentados.
    Fechou os olhos, abriu-os. VOltou à margem do lago, sua boca ainda era suja de sangue e começou a lavar-se, rapidamente.
    No seu reflexo seus olhos eram verdes, e ela lavou-os na esperança de que tornassem ao normal. A água movia-se, se aquecia, ela afastou-se alguns passos.
    Quando a criatura saiu das águas a mulher caiu, sem crer em seus olhos. Protegeu o rosto do vapor. O dragão urrou.
    - Não sei como estou aqui. Por favor...
    O animal gesticulava, apenas, e ela podia decifrar o que dizia.
    - Não era intenção minha despertá-lo. Sinto muito.
    Ele virou-se de costas demonstrando o seu real tamanho, totalmente fora da água agora. As escamas acizentadas e peroladas brilharam ao sol.
    - Não! Eu não os neguei! Não compreendo o suficiente para aceitar! ninguém me disse!
    As asas fizeram a sombra sobre muitas árvores, e o vento levantou poeira forçando Flamma Aurora a proteger o rosto com o braço quando se levantou.
    - Onde está indo? Espere! Como voltarei?
    O barulho das motocicletas tornou-se ensurdecedor, e alguns disparos denunciavam o que queriam.
    Sem conseguir escapar Flamma Aurora fora capturada. Pendurada no moinho por braços e pernas era instigada a aceitar sua morte.
    - Confesse! É um dragão! Confesse e talvez Deus tenha piedade de seu espírito atormentado!
    - Eu não nego!
    - Diga alto, para que todos possam ouvir! O que não nega?
    - Aurora, filha... Como pôde?
    De entre os homens reconheceu seu pai, tão diferente com a barba por fazer...
    - Gabriel.
    - Não. Não é mais minha filha. Deve ser morta como todos os outros.
    - Ouviram-no! Orgulha-me motocaçador, e muito.
    - Caliel...

    - Lady! Lady, acorde, por favor.
    - Vamos garota, acorde.
    - Eu vou chamar...
    - Não Thomas. Pegue um pouco de água, apenas.
    - Mas ela...
    - Água Thomas.
    Quando o copo foi trazido Carlo Stéfano derramou uma gota na mão da mulher. Não havia evaporado. Derramando água nas mãos passou pelo rosto dela,
    - Lady, por favor...
    - Acorde, acorde aurora. Está me ouvindo? Aurora.
    Ela acalmou-se, porém não conseguiu despertar.
    - Confesse!
    - Tenho o sangue. Sou descendente deles...

    Thomas não acreditou que ela dormisse ao escutar aquilo quando entrou, mas viu a mulher relaxar. Seu delírio em sono, sem febre, parecia passar.
    - Lady...
    - Um pesadê-lo, apenas, Thomas.
    - Sim, se sonhava com sangue Mestre Carlo. Descendente?
    - Não leve a sério. Um sonho é um sonho e um delírio um delírio.
    - Por que ela não acorda? Por que não quer que saibam que dorme há dois dias?
    - Porque é normal no estado dela, não há razão para preocupações.
    - Até você estava preocupado agora.
    - Thomas eu gosto de você, realmente. Não apenas por alguma consideração que Aurora possa ter por você. O julguei mal no início.
    - Por que diz isto?
    - Porque não vai atrapalhar os interesses de Lady Flamma Aurora. Eu não permitirei.


  3. #63

    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    saco. tinha colocado ja o 32 e as duas partes do 33 qdo o pc reiniciou T~T
    lembrem-me de postar, se o pc desligar de novo é pq a história tbm é amaldiçoada -.-'''


  4. #64

    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    ############################### Capítulo XXXI - In Draco ###############################



    A porta foi aberta como força, e batida do mesmo modo assim que o segundo homem passou.
    - Thomas! Thomas, volte aqui! Onde está indo?
    - Ao hospital, Mestre Carlo!
    Com passos mais rápidos Carlo Stéfano alcançou-o e o segurou firme pelo braço.
    - Ela precisa de um médico, e não de nós.
    Jorge aproximou-se da dupla prestes a brigar entre as poças d'água. A chuva não lhes importava mais, por isso a pressa os impediu de vestir suas capas.
    - O que está havendo aqui?
    - Nada Jorge. Retome seu trabalho.
    - Acontece, Mestre Carlo, que Lady Flamma é minha superiora, não o senhor. E acontece também, Mestre Carlo, que se não tirar as mãos de Thomas eu terei um sério problema com o senhor.
    - Jorge...
    Thomas surpreendeu-se com quem o defendia e no fim estava solto. Ofegante voltou o olhar para o hospital.
    - Lady Flamma...
    - O que houve Thomas?
    - É melhor ficar de boca fechada, se for esperto.
    - Cale-se Mestre Carlo! Diga logo, Thomas.
    - Lady... Têm quatro dias que ela não acorda.
    - Não é possível alguém dormir tanto. Pela madrugada ela despertou e... - Carlo Stéfano.
    - Pensei que ela estivesse bem.
    - Era mentira! Ela só dorme e tem pesadê-los. Fala dormindo...
    - Certo Thomas, vá chamar o médico. E você, Mestre Carlo, ...


    Corria por uma montanha rochosa, com cuidado para que não escorregasse. Ouvia as criaturas no ar, sentia em seus olhos que era sua presa. De entre as rochas, à sua frete, a boca se abriu. Era quente e úmida, sentiu-a convidativa à perseguição que sofria.
    As pedras que rolaram para o interior da boca derreteram-se na saliva ácida ao lado da língua. Apoiou-se nos dentes superiores para se equilibrar e caminhar nos dentes inferiores.



    - Não há motivos para este sono.
    - Tem certeza de que é apenas sono dra. Sara?
    - Sim Jorge. Ela está do modo como veio ao hospital, e tem uma segunda avaliação, inclusive.
    - Então pode acordá-la. - Thomas.
    - Sim Thomas. Mas é um risco. O organismo a fez adormecer desde modo. Talvez o subconsciente, pelo que passou. Como um estado de choque.
    - Então deixemos-a descansar. - Carlo Stéfano
    - Esqueça, Mestre Carlo. Pode acordá-la, por favor, doutora. - Jorge.
    - Quer resolver isso lá for?
    - Quando quiser!
    - Calma, sim. Vou acordá-la e se for o caso a sedarei. Ela tem que dizer o que sente.


    A fumaça surgiu repentinamente, sufocante. Protegeu o rosto com a manga da roupa e continuou. Escorregou caindo em um jardim de inverno seco, o chafariz ao centro borbulhava algo que não água.

    - Ela está tossindo demais. - Carlo Stéfano.
    - Não importa. Continue doutora. - Jorge.
    - Não posso, Jorge. Posso terminar sufocando-a. Nunca vi algo assim. - Dra. Sara.
    - Por favor, Lady, acorde. Por favor, por favor... - Thomas.
    - Acalme-se, ela está bem Thomas. - Carlo Stéfano.
    - Se estivessem bem ela acordaria! - Jorge.
    -As funções dela estão normais. Nenhuma reação aos medicamentos. Pulso e pulmões bons. Talvez uma análise do cérebro...
    - Não doutora. Acorde-a agora, por favor.
    Ela olhou os rostos, e no de Carlos Stéfano ela viu que embora relutasse também queria Flamma Aurora desperta.
    - Certo. Usarei adrenalina então. Isto deve estimular o organismo.
    A seringa estava já pronta para ser aplicada na veia.
    - Por favor, aguarde até amanhã. Ela despertará amanhã. - Carlo Stéfano.
    - Há dias ela dorme e mantém isto em segredo! Você está louco Mestre Carlo? - Jorge.
    - Até amanhã, Jorge. Eu imploro. Melhor ainda, até o amanhecer!
    - Está mesmo louco...
    - Do contrário usarei minha autoridade.
    - É de uma vida que estamos falando aqui! Qual o seu problema?
    - Algumas horas, é tudo o que peço!
    - Ficarei aqui, Jorge, com vocês. Tudo bem para todos? - Dra. Sara.
    - Se é assim, até o amanhecer. - Jorge.


    Quando se levantou de onde caiu, tão próxima ao chafariz, a neblina se dissipou. As inscrições do objeto à sua frente não puderam ser traduzidas. A acidez do chafariz corroeu suas bordas, derramando-se. Flamma Aurora procurou por locais mais altos e seus saltos não alcançaram a abertura de onde viera. Logo seria também consumida.


    - Flamma Aurora. Vamos querida... Acorde. Acorde... - Carlo Stéfano.
    - Era disso que falávamos, doutora. - Jorge.
    - Sim, mas não há febre ou infecção. Ela está sonhando, provavelmente, mas não delirando.
    - Então porque ela não acorda, doutora? - Thomas.


    - Nós te permitimos viver. Lhe demos uma segunda vida. Não para ser como eles, mas para sobreviver de forma diferente!
    - Eu sei, agora, embora não compreenda. Serei igual a vocês, tenho o sangue de vocês! Abandonará, a mim à morte? Honro o sangue em minhas veias! O que mais quer?
    O silêncio caiu, as bolhas corroíam as paredes de pedra, nada restou do chafariz.
    - O que mais você quer?!
    A corrente de fogo chegou de onde caiu e laçou-lhe o braço. Arrastou-a para sobre a língua de pedra, entre os dentes.
    Vendo agora como uma criatura afastou-se tomando sem intenção o ar. A cabeça, outrora um animal, era pedra e se consumia pelo ácido produzido em seu interior.



    - Lady Flamma!
    Thomas viu-a sentar-se em busca de ar. Seus olhos fitavam apenas a sua frente.
    - Lady, você está bem? - Carlo Stéfano.
    - Por favor, como se sente? - Thomas.
    - Com licença. - Dra. Sara.
    Ignorando Jorge e Carlo Stéfano a médica tomou o pulso da mulher a fim de verificar seu estado.
    - O que houve? - Flamma Aurora.
    - Você dormiu por quase uma semana. - Dra. Sara.
    Olhando pela janela ela viu que amanhecia, e o clima era fresco, agradável, e que havia chovido por muito tempo...
    Última edição por Arctos; 09-02-14 às 01:06


  5. #65

    Padrão Re: Flamma Aurora ... E adicionais. ^^

    ################################ Capítulo XXXIII - Fogo Ferido, Parte 1 ################################



    Com os guardas à noite parecera que ninguém mais ousaria tentar soltar os animais novamente. Três vigias , no entanto, era apenas à fera capturada, ao filhote de pantera que crescia em sua jaula, e jaula esta que permanecia em um cercado com outros animais enjaulados, porém estes por pouco tempo.
    O raro pássaro discreto, único de seu bando a ser capturado, também havia escapado. Pássaro comedor de carne, com pequenos animais como filhotes, micos, lagartos e cobras em sua dieta alimentar.
    O pássaro provavelmente voara para longe como seu hábito quando ameaçado. Não imaginavam longe o quanto...
    O telhado que sobrevoou tinha estátuas em cada ponta com personagens das estações e da direção dos ventos. as quatro imagens era o orgulho daquela corte.
    A corte nunca vira tanto movimento desde o homicídio em um convento, onde o autor deu fim à sua vida após a palavra 'culpado' ser pronunciada.
    Ao final as jovens tiveram seus três anos de prisão, e Don City sete. Ao ser dirigido a porta ao lado, que o levaria a prisão, gritou obcenidades a todos. Letícia e Patrícia foram conduzidas aos soluções.
    - Acabado. Vamos embora.


    Carlo Stéfano dirigiu o ônibus pela rodovia vazia com Sérgio no caminho de ida. Escutaram a aceleração da van ao lado, porém antes que o motorista notasse seu veículo já era corroído por balas.
    - Abaixem-se! Mara! Felippo!
    Danilo colocou Duda sob si, que escondeu-a de quaisquer olhos, como se as balasn ão pudessem encontrá-la. Flamma Aurora jogou-se sobre Carlo Stéfano, também tentando protegê-lo. Ela puxou o volante para a direita, parando o ônibus. A van continuou pela estrada. O ônibus, agora caído de lado, ainda tinha as rodas girando.
    - Todos pra fora! Vamos, todos pra fora.
    À ordem de Sérgio fez-os voltara se movimentar. Sairam pelas janelas puxando uns aos outros e sendo descidos com ajuda.
    - Tato, conte os rapazes. Toni, conte as mulheres.
    Começaram de imediato enquanto Carlo Stéfano verificava a possibilidade de incêndio.
    - Droga. Pé podre.
    - Eu te ajudo Tati.
    Mara colocou-a sentada para poupar o pé torcido.
    - Você viu o Thomas, Mara?
    Ao escutar a dúvida Flamma Aurora olhou os presentes, dando por sua falta retornou de imediato para o ônibus, pisando sobre os vidros com sua bota. Passou por cada banco, sem encontrá-lo. Sobre a lateral Carlo Stéfano ajudava a sair pela janela traseira.
    - Está aqui!
    Flamma Aurora desceu de pulo indo até o corpo caído sobre uma pedra, temeu. De bruços a lateral da cabeça sangrava. Sérgio verificou a pulsação no pescoço.
    - Ele desacordou com a batida. Ajude-me a...
    - Não toque nele! A menos que o queira morto.
    O homem na beira da estrada desceu o apoio da moto, se direcionando ao grupo próximo a Thomas, retirou os óculos.
    - Desacordado, não é? Vamos ver até quando.
    - Quem é você? - Carlos Stéfano.
    - Caso mexa-o pode lhe quebrar a coluna, ou o pescoço.
    - Pode verificar isso? - Filadelfo.
    Ele abaixou-se sentindo a coluna, sobre a camisa, os ombros e o pescoço. Ao se levantar vestiu novamente os óculos escuros.
    - É, podem movê-lo. Ainda assim é bom um médico vê-lo com urgência.
    Se retirava quando Flamma aurora segurou-lhe o braço. Um pouco forte pela tensão que tinha.
    - Empreste-me sua moto.
    - Sinto muito. Tenho compromisso naquela direção, e não posso me atrasar.
    - Pago três vezes o valor de sua moto. Metade agora.
    Parte das pedras que tinha em sua bolsa, com notas e moedas, ela derramou na mão revelando sua seriedade.
    - Desculpe, sinto muito, mas...
    A malícia brilhou nos olhos do homem ao retirar novamente os óculos, certificando seus olhos castanhos.
    - Posso levá-lo ao hospital mais próximo, uma vez que este estado requer urgência e parece que ficarão presos aqui por muito tempo.
    - Compramos sua moto.
    - Desculpem, ninguém sobe na Primeira Princesa que não eu.
    Ignorando Carlo Stéfano ele continuou até a moto. Não queriam uma briga por apenas um detalhe, e roubar a moto os levaria de volta a delegacia, no mínimo.
    - Leve-o à ConViver, Portão Sul. É caminho. Diga o seu preço.
    - Isto não custará nada.
    Thomas foi amarrado sob um braço e outro. Logo a moto perdia-se na curva da estrada.
    - Felippo, Jorge. Cordas. Tami, atenção ao trânsito.
    Com as orientações de Flamma Aurora amarraram o teto do ônibus. Na estrada puxaram o veículo, fora dela o empurravam. Toda a bagagem estava a margem para reduzir o peso.


    Os coqueiros da praia deserta, àquela hora, já se apresentavam e desceu da moto para a areia. Deixou Thomas cair. Tirou uma face de prata e apontou-a para o pescoço do rapaz. Se o matasse, quem o saberia? Aquela mulher? O que ela faria? E se apenas o deixasse caído ali?
    Porém as suas filhas estavam vivas...
    Voltou a moto carregando-o, dessa vez sem ajuda.



    ############################### Capítulo XXXIII - Fogo Ferido, Parte 2 #################################



    Com o ônibus sobre as rodas novamente verificaram-nas. Três pneus furados, tanque de combustível ainda sem danos.
    - Não iremos longe assim.
    - O que faremos, Mestre Sérgio. Aqueles caras nos pegaram de surpresa, provavelmente do circo.
    - Não iremos longe assim.
    Flamma Aurora destravou a arma e foi para a estrada. Escutava o trailer se aproximando. Vendo-a mirar o motorista pisou no freio de imediato.
    - Lady Flamma!
    Ignorando Carlo Stéfano ela continuou apontando o motorista e exigiu a porta ser aberta.
    - Por favor, sou apenas um viajante com minha...
    - Estou comprando três de seus pneus e vamos na mesma direção. Serão bem recebidos caso queiram vir conosco.
    O solavanco do veículo revelou ao motorista que os pneus já eram retirados.
    - Três pneus ao preço de dez, de acordo?
    O motorista não pode contestá-la enquanto em grupos tiraram os pneus simultaneamente.


    Quando a moto de placa desconhecida aproximou-se da guarita do Portão Sul ficou em alerta à placa desconhecida. Até que o acompanhante do piloto fosse identificado pelo crachá.
    - Siga pela direita. O hospital é logo a frente.
    Seguiu conforme instruído por Jonas, freando bruscamente ao chegar. Queria livrar-se o quanto antes do peso em suas costas.
    - Desacordado! Sangue! Traga uma maca, Judite! O que houve com ele? De qual equipe são?
    - Não sou de equipe alguma, doutora. Houve um acidente na estrada, com um ônibus. Parei para ajudar, apenas, e pediram que o trouxesse.
    - Sim, obrigada. Sou doutora Sara. Como posso chamá-lo?
    - Calú, é como me chamam. Ele está entregue, já vou indo.
    - Fique no acampamento, Calú. Tem um hotel na cidade, mas estamos muito agradecidos por trazer um dos nossos agentes. Certamente um dos alojamentos terá a honra de sua presença.
    - Vou olhar por aí.
    Sara continuou a procurar entre as medicações, já aplicando soro ao braço de Thomas enquanto Judite lavava, superficialmente, o ferimento na cabeça.


    Antes de o ônibus parar Flamma Aurora descia dele. O veículo tornou a acelerar. Desceriam mais próximos do acampamento, no Portão Central. Sua equipe e Carlos acompanharam-na.
    - Devem esperar...
    Flamma Aurora passou sem dar atenção ao atendente, procurando na área de emergência o quarto onde Thomas deveria estar.
    - Não deveria fazer isso, Lady.
    Continuou com Carlo Stéfano ao seu lado, Encontrando o quarto bateu no vidro com os punhos.
    - Não entrei.
    Doutora Sara logo saiu com luvas nas mãos. Judite dava continuidade à tarefa.
    - Devem aguardar na sala de espera, Lady. Por gentileza, no local adequado.
    - Qual o dano?
    - Na sala de espera, Lady. Por favor.
    - Estamos apenas preocupados. Pode, ou não, dizer algo além de caiam fora?
    - Ele é da equipe de vocês? Você é a responsável, Lady Flamma? Tem papéis a assinar quanto a...
    Flamma aurora entraria se Carlo Stéfano não a segurasse. Empurrava, já, a porta que dra. Sara fechou.
    - O que está fazendo? Estou dizendo que espere. Que seja aqui ou em outro lugar, porém não nesta sala. agora deixe-me cuidar dele.
    A porta foi trancada e Carlo Stéfano colocou a mão no ombro de Flamma Aurora, com o incomodo ela moveu-os sem notar o homem, que retirou a mão.
    - Venha. Doutora Sara avisará quando pudermos vê-lo.
    De braços cruzado na sala de espera Calú, por quem passaram despercebidos à princípio.
    - Sabe algo?
    - Lady seu nome, não é? Nunca conheci alguém com este nome...
    - Responda, por favor.
    - Ah sim, por favor... Cheguei há pouco mais de uma hora. Notícia alguma, ainda.
    Flamma aurora começou a caminhar.
    - Qual o seu nome?
    - Calú.
    - Sou Carlo Stéfano e só temos a agradecê-lo por Thomas. Algo que eu possamos fazer por você?
    - Talvez no futuro. Já me ofereceram um lugar para ficar. Vou conhecer este lugar.
    - À vontade.
    Carlo Stéfano esperou-o sair para conseguir conversar com Flamma Aurora, dando-lhe sugestões de descanso que ela recusou.
    Quando a médica chegou à sala de espera Duda despertou Tami para que também a ouvisse.
    - Thomas ainda se esncontra inconsciênte, no momento. Culpa das medicações, em parte. Levou pontos, porém não houve fratura alguma no crânio, o que é bom.
    - Isto é bom?
    - Poderia ser pior, Jorge.
    - Está bem, Tati. O que mais doutora?
    - Ele perdeu muito snague. Muito sangue. A pressão está totalmente irregular. Por isso as funções normais do organismo estão em risco.
    - Thomas ficará bem?
    A pergunta de Flamma Aurora surpreendeu a doutora, que pensou ter deixado a situação clara. Por isso pensou na resposta à pergunta tão objetiva.
    - É provável.
    - Qual a porcentagem?
    - 60% Flamma Aurora de ele conseguir. Não o deixaremos só em nenhum momento. Observação constante e...
    Flamma Aurora não escutava mais, afastou-se. 50% seria a metade inteira para perdê-lo ou não. Carlo Stéfano agradeceu à médica e foi à mulher.
    - Ele ficará...
    - Apenas 60%.
    - Não pensa em desistir, não é, Lady Flamma Aurora?
    - Nunca Mestre Carlo, até que Thomas próprio decida. Ainda que suas chances continuem caindo. Nunca.
    - Vamos precisar de muita força para isso. E alimentação e descanso.
    Ela concordou, ao tempo que não importava-se de passar ainda algumas horas no hospital, esperando por novas notícias que não foram diferentes. Pouco antes da meia noite recolheu-se ao seu chalé.
    Demorou a dormir, inquieta. Relembrou todo o tempo de Thomas no ônibus. Desde a saída de ConViver até após o julgamento, no ônibus. Divertia-se com os outros, e os mais velhos o deixavam sem graça, como sempre. nunca vira alguém ficar tão vermelho que não por febre ou exercícios. A timidez dele era sua febre.
    O depoimento foi feroz, embora brando, ao testemunhar em seu favor. Hostil em acusar aqueles que a ameaçaram, mostrando o quão era importante a ele.
    Bebeu água e pela janela viu Calú fumando a algumas casas de distância. Ao deitar-se conseguiu finalmente adormecer.
    Última edição por Arctos; 09-02-14 às 01:05


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